15 de dezembro de 2009

STAIRWAYS TO HEAVEN


A grande diferença entre agüentar e enfrentar uma situação é a velocidade do processo.

Agüentar é como tomar pílulas de dor: você experimenta a amargura, o ódio, o ressentimento e a dor em pequenas porções, em doses suportáveis. Isso permite que você se distraia com outras coisas e esqueça temporariamente o terrível gosto da situação que se está tolerando. Pelo menos até a hora próxima dose, que geralmente chega de surpresa.

Enfrentar é uma opção menos atraente, mas é muito mais valente. Enfrentar é como beber um copo cheio fel liquefeito. É se obrigar a sentir o gosto total da amargura, do ódio, do ressentimento e da dor, tudo de uma vez, sem pausas, sem distrações, sem alívio temporário. E atente para um detalhe: o tamanho do copo não é nada pequeno, mas a vantagem dessa atitude é saber que não vai haver um “próximo copo” para a mesma situação.

Agüentar é o meio mais fácil, mas tem graves efeitos colaterais. Enfrentar é o meio mais rápido e no máximo causa uma indigestão passageira, no dia seguinte, já está tudo bem.

Eu escolhi agüentar, mas acabei sendo coagido a enfrentar. E o “dia seguinte” já chegou. Ontem eu adormeci bem cedo, muito antes do nascer do sol. Hoje acordei cedo também, bem antes do sol de por. Tomei um café da manhã, coisa que não fazia há muito tempo. E almocei às 12:30, bem diferente do meu antigo “horário normal”, entre 18:00 e 19:00. Não senti nenhum pesar ao acordar, não tive vontade de ouvir músicas tristes, não passei fome e nem sede, não me entreguei à preguiça, não ignorei minha vaidade nem minha higiene. Hoje eu senti saudades, eu liguei pra dizer “mãe, te amo!”, eu fui altruísta e menos egoísta, eu aceitei responsabilidades e cumpri o que prometi. Eu me dei presentes, eu dei gargalhadas e até cantei e dancei um pouco... eu me amei um pouquinho mais.

Acabei descobrindo que sou muito bom em me auto-recuperar e situações críticas. Estou me sentindo bem, como nunca mais havia me sentido. E estou em paz, ainda cambaleando fisicamente, mas bem estável espiritualmente. Vou passar a tarde toda com aquela que eu considero minha melhor amiga neste mundo (perdendo apenas pra minha mãe). E acreditem, estou bem satisfeito de ter saído do fundo do poço sem a ajuda de um “ombro amigo e/ou materno”, como havia dito no post passado. Agora é manter as coisas como estão e torcer pra que continuem assim. É subir o primeiro degrau, sem se importar com o tamanho da escadaria...

[...]

Mudando um pouco de assunto: hoje o Sinapses têm exatos 50 posts. E dando uma olhadinha nos posts passados, acho que cumpri muito bem o objetivo de ter e manter um blog, uma das minhas “resoluções de ano novo” de 2009. 50 posts divididos em posts felizes, posts divertidos, posts críticos, posts militantes, posts deprê, posts ainda mais deprê (fossa mesmo!)... apesar dos sumiços e retornos, continuo por aqui firme e forte, sem nem cogitar a possibilidade de abandonar meu pequeno espaço virtual. Por isso, aviso que estou de volta!

11 de dezembro de 2009

FUNDO DO POÇO


Ao contrário do que muitos dizem, o “fundo do poço” não é escuro, nem úmido e nem desconfortável. Falo isso por experiência própria e atual. Mas todos estão certos quando dizem que ele é bem ruim. Ao atingir o fundo do poço, sua consciência é “iluminada” de uma forma que fica possível reconhecer onde houve erros e encontra o como e o porque se chegou a um nível tão baixo. Por isso digo que o fundo do poço é claro. O fundo do poço é seco porque, ao se dar conta que não se tem mais nada a perder e nem como as coisas ficarem piores do que já estão, você perde a capacidade de chorar, daí não há umidade. E é, até certo ponto, confortável porque dá tanto trabalho mover suas poucas energias pra sair dali que fica incrivelmente fácil se acostumar com a situação e decidir que ficar quietinho no seu canto (pelo menos por um tempo) é uma opção razoável.

O fundo do poço é um lugar que só existe dentro de nós mesmos. Até porque, se você for reparar, a menos que algo óbvio esteja acontecendo (miséria, doença, falecimento, etc.), ninguém percebe quando você está numa pior e nem entende os motivos de se ter chegado em tal situação. Uma analogia excelente, afinal, é bem difícil enxergar o fim de um poço sem estar no fundo dele.

Eis o fundo do poço. Eu cansei de tudo, enjoei de tudo. E de todos também. Parece que a festa acabou, as cores acinzentaram, a graça definhou, o assunto morreu, está tudo meio-morto. Não consigo me mover pra amar nem pra odiar alguém ou alguma coisa... e parece que esse tipo de trabalho não vale a pena.

Meu sono se inverteu e enlouqueceu. Por vezes não consigo dormir, em outras durmo 14-16 horas por dia e ainda sinto sono. Dá preguiça de acordar e me levantar da cama. A fome vem, mas a vontade de comer já me abandonou há tempos. Estou visivelmente doente, mas não tenho um pingo de forças pra buscar ajuda. Ficar parado é uma proposta cada vez mais e mais tentadora. Meus amigos me ligam e, por mais que eu sinta saudade ou ainda necessidade de falar com alguém, deixar o telefone de lado e não atender parece tão mais prático e cômodo (inclusive com as pessoas que eu mais amo nesse mundo). As pessoas puxam assunto, contam piadas, discutem notícias, agradecem algumas coisas, reclamam de outras, pedem opiniões, querem explicações... mas tudo ficou tão desinteressante, mesmo ouvir, ler ou falar. Não sinto mais simpatia, nem antipatia. Só sinto apatia por praticamente tudo.

É confuso, como se eu estivesse congelado e não houvessem motivos para seguir em frente. A apatia me subiu à cabeça. Com ela vieram a preguiça, a anorexia, a indiferença, a insônia ou hipersônia (intercaladas), a insatisfação, o descuido, a irresponsabilidade, o tédio, a inércia e a total falta de vaidade, auto-cuidado e auto-estima. E independente dos motivos que me levaram ao fundo do poço, a resolução disso tudo ainda pode demorar um pouco, principalmente porque metade das minhas forças ainda dependem do retorno de pelo menos um importante ombro amigo ou materno. Quando esse alguém retornar, eu sei que as coisas vão melhorar...

OBS: Nunca gastei tanto com álcool em toda minha vida. E ainda assim, não sinto a menor vontade de beber... a intenção é não ficar sóbrio (né Pink?).

29 de novembro de 2009

CORAÇÃO PARTIDO

Um cara legal. Realmente legal. Uma conversa legal. Palavras certas ditas na hora errada, e que desencadeiam sentimentos errados no momento certo. É simplesmente revoltante o poder que as palavras têm quando estamos frágeis: podem nos alegrar, nos derrubar, nos fazer pensar, podem nutrir esperanças, ou ainda pior, podem criar falsas esperanças.

E depois que eu tive todo o trabalho de romper meus próprios limites, minhas auto-restrições; depois que eu tive a coragem de me deixar sentir, de permitir que meu coração voltasse a bater mais rápido por alguém tão próximo... depois de toda a droga do meu esforço, o ingênuo coração é subitamente apunhalado. De uma forma boba, idiota, quase acidental se não fosse tão intencional.

E agora, se eu estou puto e chateado, não importa. A culpa foi minha também. Eu já devia ter aprendido que não se deve alimentar sentimentos com ilusões e que não se deve ser tão ingênuo. Eu errei de novo. E eu sei que esse não vai ser o último erro, mas dói como se fosse. Eu sei que a culpa foi dele também, mas isso importa? Não é ele que está sofrendo, isso é o que importa.

Agora, se eu não quero a falar a respeito ou explicar o que aconteceu, é um direto meu. Se eu quiser manter distância por algum tempo, independente de quanto tempo seja, é direito meu. Eu já vi esse filme antes, eu sei como ele termina. Eu preciso matar novamente um sentimento platônico e prematuro que só pede pra existir. Eu preciso me livrar de toda essa carga negativa antes que eu sature. E eu preciso caminhar de novo, sozinho, mesmo que seja lentamente e rastejando. Preciso me reerguer sozinho, sem chorar pelos cantos, sem fazer cara de coitadinho e desejar a piedade alheia, afinal, eu cresci e é isso que pessoas crescidas fazem.

E mesmo assim, nada me impede de sofrer tudo de novo, de sentir tudo de novo e de lamentar, com a cabeça baixa e o coração partido. Mais uma vez. Depois de uns goles de whisky pra ajudar a engolir a dor e uma boa noite de sono pra esquecer tudo, talvez eu melhore. E que assim seja!

"Alysson era fera demais
Pra vacilar assim
E o que dizem que foi tudo
Por causa de um coração partido
Um coração..."

(“adaptado” de Dezesseis – Legião Urbana)


[...]

PS: Eu NÃO me importo se você, o “protagonista” desta história, aparecer por aqui e ler isto. E foda-se se foi tarde demais pra você perceber o seu vacilo. Não perca o seu tempo e nem o meu.

OBS: Queridos leitores, eu vou continuar sumido. Preciso de tempo. Preciso de silêncio verbal e textual. Continuo lendo vocês, mesmo sem criar coments. Tudo de bom pra vocês...

15 de outubro de 2009

BLOG ACTION DAY 2009


Eu não sou exatamente um otimista, mas vejo que as pessoas mudaram um pouco a sua forma de pensar quando se fala em “meio ambiente” e do caminho sem volta que ele pode ter se as coisas continuarem assim. Antes as pessoas eram mais descrentes, pensavam que poderiam destruir e consumir os recursos do mundo sem se preocupar com o amanhã. Hoje, quando percebem que os invernos castigam regiões com tempestades poderosas e enchentes, enquanto os verões carregam a seca e um calor infernal por todo canto, as pessoas se dão conta de que algo não está “normal”. E por favor, me inclua entre essas pessoas.

Lembro de uma propaganda que passava quando eu ainda era bem novo, era muito forte, apareciam árvores sendo cortadas e um ruído de choro, desespero e gritos de agonia como pano de fundo. Eu morria de medo e pena da propaganda, eu sabia que cortar árvores não era legal, mas sabia que era necessário porque assim se fazia o papel e, conseqüentemente, os cadernos da escola... e minha mãe sempre me disse que eu devia estudar pra ser alguém na vida. Eu acreditava que as árvores podiam ser cortadas, desde que fossem pra fazer os livros e cadernos (e os lápis, principalmente se fossem lápis de cores). E desse antigo e inocente pensamento nota-se como os humanos justificam seus atos com desculpas esfarrapadas.

Já passou da época de especular “o que pode acontecer” com o planeta se continuarmos no mesmo rumo. O consumismo, a despreocupação com o meio ambiente, o descaso de nem tentar ser sustentável, a caça e a pesca não controladas, as queimadas, a poluição em larga escala, a ausência de grandes programas de reciclagem e reaproveitamento da água, o abuso dos derivados do petróleo e da produção de energia baseada em combustão e TODOS os outros atos anti-ambientalistas do nosso mundo atual são uma realidade. E tão realidade quanto eles são os efeitos que eles já causam e continuarão a causar no nosso mundo: desastres climáticos (já comentados), desequilíbrio do ecossistema, extinção de espécies, aquecimento global, escassez de recursos naturais, etc.

Eu não sou ambientalista, não sou um eco-chato, não sou vegetariano (apenas porque é incompatível com meu paladar), mas sou consciente. Sei o que é prejudicial à natureza e, na medida do possível, faço o que posso fazer dentro das minhas limitações. Evito desperdícios, jogo o lixo no lixo, reaproveito tudo o que posso, quase mato um indivíduo que tenta jogar lixo na rua na minha frente, procuro comprar cadernos, livros, resmas de papel, lápis e lápis de cores de empresas que fazem reflorestamento, etc. E apesar de saber que é pouco, tenho a consciência de que poderei fazer mais quando estiver em minha própria casa. E tenho a consciência de que se todos fizessem esse “pouco” há mais tempo, não estaríamos tão próximos dessas calamidades.

Se você também é um desses mensageiros do apocalipse e carrega a mensagem de que o fim está próximo por conta da “ira de Deus”, saiba que boa parte desse “apocalipse” é culpa da conivência e do abuso dos humanos em relação à seu próprio planeta. Se você é despreocupado, alerte-se: logo pode ser tarde demais pra se preocupar. E se você é consciente ou ambientalista, continue fazendo a sua parte e convencendo mais pessoas a abraçar essa causa... o mundo agradece!

OBS: esse post faz parte do Blog Action Day 2009, um movimento com mais de 10 mil blogs de todo o mundo postando sobre o meio ambiente e as alterações climáticas no dia 15 de Outubro de 2009. O Blog Action Day faz, anualmente, um dia de discussão em vários blogs, com a intenção de refletir e agir em prol de um mundo e um futuro melhor.

13 de outubro de 2009

FISIOTERAPEUTAS


Quando você pensa em Fisioterapia, provavelmente deve pensar em ossos fraturados e membros engessados, lesões medulares associadas à cadeiras de roda e coisas similares, certo? Ok ok, eu estereotipei o pensamento alheio, desculpem-me. Você leitor, pode ser um pouco mais instruído e conhecer um pouco mais do trabalho de um Fisioterapeuta, mas a grande maioria da sociedade não conhece. É verdade.

No dia 13 de Outubro comemora-se o dia do Fisioterapeuta (e do Terapeuta Ocupacional também) e apesar das inúmeras conquistas, ainda há pouco motivo pra comemoração. Os Fisioterapeutas deste país ainda sofrem com a falta de remuneração adequada pelos planos de saúde (alguns pagam em torno de 7 reais por sessão de fisioterapia), desvalorização profissional, pouco conhecimento e reconhecimento pela sociedade e, pra variar, uma perigosa tentativa de submissão da formação ao mero nível técnico – graças ao Ato Médico, uma lei que pretende dar poderes plenos aos médicos, desvalorizando e subjugando mais de 13 outras profissões da área da saúde (como a Psicologia, a Enfermagem, a Odontologia e a Fonoaudiologia), só pra exemplificar. Junte a esses fatos a quantidade esmagadora de maus profissionais em nosso meio (muitos deles frustrados por se refugiar na Fisioterapia apenas por não terem conseguido passar em medicina), denegrindo, desunindo e deturpando um ramo profissional já com tantas dificuldades. Sim, ainda muito a ser feito... e fico feliz em saber que muita coisa já está sendo feita.

Eu não conhecia o que era a Fisioterapia antes de entrar na faculdade. Não sonhei em ser Fisioterapeuta desde criança. Não sabia que as bases que originaram a Fisioterapia vieram de milhares de anos atrás, antes mesmo do surgimento da medicina. Não imaginava que fosse me apaixonar por essa profissão e pelo significado que ela tem. Não sei o que vai ser da minha vida profissional no futuro, mas ter a certeza de que eu aprendi muito com a Fisioterapia e que ela ajuda a minha vida (e a dos meus familiares) a ser melhor e mais saudável. E não existe pra mim maior satisfação do que aliviar as dores de alguém, fazer alguém voltar a andar, a escovar os dentes, a respirar sozinho; enfim: ajudar as pessoas a conquistarem vitórias pessoais de independência e conforto. E salvar vidas.

Portanto, comemore junto comigo o dia do profissional que, sim, ajuda a melhorar a situação de membros quebrados e pessoas de cadeira de roda, mas que também alivia dores de diversos tipos e com anos de duração; que trata diversas seqüelas e deformidades em praticamente todo o corpo; que permite a muitas pessoas uma respiração mínima e confortável pra manter a vida; que é totalmente indispensável em qualquer UTI; que trata de estrias, cicatrizes e celulite; que torna partos normais com menos riscos e dores; e que tem a possibilidade de promover saúde de formas cada vez mais abrangentes e eficentes para indivíduos, desde o nascimento até a 3ª idade pra você e pra todos aqueles que você ama.

Feliz dia do Fisioterapeuta para todos aqueles que amam a Fisioterapia e para aqueles que precisam de serviços de uma profissão tão nobre!!!

OBS: Volto a comentar nos meus vizinhos a partir de amanhã. Desculpem o sumiço... =D