30 de janeiro de 2009

FÉ, RELIGIÕES, FATOS E OPINIÕES


Ainda em tempo: este texto relata a MINHA OPINIÃO que é CONTRÁRIA as religiões atuais e suas convicções. Se você é um fanático religioso, é incapaz de respeitar opiniões alheias ou simplesmente não gosta de falar sobre o assunto, recomendo-lhe que se retire ou siga por sua conta e risco.

[...]

Sou um agnóstico. Mas não confunda, agnosticismo é diferente de ateísmo (embora eu não tenha nada contra os ateus), enquanto que este último define a descrença em qualquer “Deus”, “deuses” ou “entidades divinas”, o agnóstico é aquele que acredita que a questão da existência ou não de um poder superior (um “Deus”) não foi nem nunca será resolvida, independente de possuir fé ou não. A fonte desses conceitos é a Wikipédia, que já tem certa credibilidade (você gostando ou não), mas se preferir uma definição mais simplista, o Orkut resume numa frase: “tenho um lado espiritual independente de religiões”.

Não tenho religião porque não encontrei uma que tenha uma forma,no mínimo compatível com minha forma de pensar. E a minha forma de pensar não é a opinião das massas. Eu exijo de mim mesmo autenticidade e originalidade. E olha que eu nem sou tão exigente assim. Desde que os sacerdotes da tal igreja/religião não tentem me dizer o que eu devo fazer e ser baseado em tábuas, livros, na “normalidade” e na “moral”, etc, ficaria tudo muito bom. Tá, eu posso ser exigente sim. Sei que essa religião pode nem existir e por isso mesmo eu faço questão de não aparecer em igreja alguma para não me aborrecer.

E não pense você que isso faz de mim uma pessoa ruim. A base da minha moral é composta de valores comuns a muitas pessoas “fervorosamente religiosas”, como ter amor próprio, amar e respeitar ao próximo, ser primariamente bondoso e gentil com as pessoas e não fazer aos outros aquilo que eu não desejo pra mim. Obviamente nem sempre sigo essa linha, primeiro porque sou humano (e erro) e segundo porque várias pessoas não merecem sempre tais tratamentos (às vezes bater é melhor do que apanhar). Boa parte dessa minha filosofia tem muito mais fundamento na minha educação (obrigado mamãe), na convivência social saudável e em respeito às leis. Ou seja, as famosas tábuas dos 10 mandamentos só me dizem o óbvio (e de forma rústica e autoritária, por sinal). E por falar em tábuas, isso me remete a livros, como a bíblia. E na minha humilde opinião, a bíblia tem valor, mas um valor muito mais cultural, literário e, em partes, histórico do que “santo”.

E se você pensou: “Syn, isso é desculpa de quem prefere viver a vida em excessos, sem controle, em vícios, na luxúria, no ‘pecado’, ou porque você é gay, gosta disso e não quer se submeter à
Deus. Você precisa aceitar ‘Deus’ na sua vida!!!”. Então você se enganou, e feio. Sabe porquê?

Não tenho uma vida de excessos, não fumo, bebo muito moderadamente e com freqüência consideravelmente menor do que eu posto neste blog (o que é uma pena). Vicio-me muito facilmente por qualquer coisa, é verdade, mas talvez por isso eu tenha cautela em demasia, controle, equilíbrio e cuidado pra sempre saber a hora de parar (ou de nem começar). Confesso sem muito orgulho que já experimentei algumas drogas lícitas e ilícitas, com uma variedade e número de vezes pequenos o suficiente para não me viciar e saber que não preciso delas. Minha vida não é tão animada pra muitos jovem da minha idade. Estudo muito, saio moderadamente com amigos e vou poucas vezes pra baladas, festas e tal. Sou o tipo de filho que jamais deu grandes e freqüentes preocupações à mãe (e ela agradece bastante).

Quanto a luxúria... bom eu acho essa palavra uma hipocrisia ridícula, ainda mais num mundo onde qualquer propagandinha de quinta categoria tem peitos e bundas à mostra, onde o Vaticano seleciona 12 padres lindíssimos (e o quesito usado na seleção foi a beleza) pra posarem em fotos de calendário (aliás, adorei o de Maio, mês do meu aniversário... que coincidência feliz, não?) e onde reina o machismo descarado que acha o máximo um homem transar com várias garotas e ser o “pegador”, tendo namorada/noiva/esposa ou não. A minha vida sexual é bem menos ativa do que eu gostaria que fosse pra que alguém me acuse de luxúria.

Sim eu sou gay e com orgulho. Meu amor-próprio não me permite freqüentar voluntariamente um lugar onde não sou aceito. A bíblia julga a homossexualidade pecaminosa, mas também diz que “Deus” ama a todos, inclusive os homossexuais. Irônico não? Além da duvidosa escrita, união e tradução dos livros bíblicos terem sido feitas por humanos tão “pecadores” (e passíveis de erros) quanto eu, nada me garante que uma ou todas essas etapas foram manipuladas pelos poderosos da época (não necessariamente Constantino I) que, convenientemente, não aprovavam a homossexualidade. Aliás, que livro sagrado é esse que, em trechos, aprova o assassinato de mulheres (que perderam a virgindade antes do casamento) e a escravidão? Estranho demais. Entre as escrituras contraditórias e o bom senso, eu fico com o segundo sem pensar duas vezes. O sexo entre homossexuais não é reprodutor, é verdade. Mas limitar o sexo apenas à reprodução é hipocrisia. Eu tenho apenas um irmão, e tenho também absoluta certeza de que meus pais não fizeram sexo apenas duas vezes, nem apenas vinte. Sem constrangimentos, provavelmente os seus pais não são tão diferentes. Logo, não existem desculpas.

E que “Deus” é esse que devo seguir e aceitar? Aquele representado por homens que vomitam pecados nos “erros” dos outros, mas são incapazes de olhar para as próprias merdas? E na nossa realidade, é tão fácil associar padres à pedofilia e pastores à extorsão vergonhosa de dinheiro das massas menos instruídas. Devo aceitar aquele “Deus” cuja igreja não fez nada para evitar a cruel escravidão de negros (e outras etnias) no passado? Ou aquele cujos sacerdotes não fez nada pra evitar o holocausto nazista e fascista? Ou ainda aquele cuja religião prefere facilitar a disseminação das DSTs a permitir o uso da camisinha? Aquele que admite agressões e assassinatos diários, já que interfere nas decisões do Estado para impedir a aprovação da lei de criminalização da homofobia? Eu afirmo sem medo: desses deuses e religiões eu não preciso.

O DEUS que eu acredito é igualitário, bondoso, perfeito. Um DEUS que não sou capaz de descrever, mas sou capaz de sentir. Faço minhas as palavras de Albert Camus, "Não acredito no Deus que os homens criaram, mas acredito no Deus que criou o homem.", e eu não me refiro à barro e água, nem à Adão e Eva.

Repetindo a frase do post anterior (não na íntegra): acredito numa força maior, em um DEUS repleto de bons pensamentos, boas energias e muito amor que diariamente olha por mim e por todos, e ESSE DEUS eu não encontrei indo a nenhuma igreja, mas sim nas pequenas coisas importantes da minha vida, nas minhas realizações e aprendizados, nos momentos felizes e também nos frustrantes e tristes. E diariamente, antes de dormir.

P.S.: Décimo post, em plena sexta-feira?! Isso precisa ser comemorado...

2 comentários:

Cris Medeiros disse...

Oi querido! Pra mim sempre foi complicada essa relação com a religião até encontrar uma com que me afinasse, e no caso foi o Espiritismo de Alan Kardec. Gosto da doutrina, acho tudo possível, gosto de acreditar que a vida não acaba aqui, porque se eu acreditar nisso eu enlouqueço com tantas injustiças que vejo no mundo, então prefiro pensar que podemos voltar de uma maneira diferente a cada vez.

No entanto aceito todas as religiões desde que elas sirvam para melhorar o ser humano e não para torná-lo hipócrita. Detesto as religiões evangélicas, porque já tive péssimas experiências com o povo ligado a ela.

Uum ser pode ser ateu e ser ético, o que o tornará uma pessoa correta. Outro pode ser religioso e nada ético; esse vai fazer um monte de merda e depois pedir perdão a Deus. Então fico com o primeiro, que me parece mais coerente... rs

Beijocas

Αιακοσ Επυαλιοσ disse...

Meu velho, eu concordo com todas as idéias. Nem sobra muito para dizer. Só que eu acho que não acredito nem mesmo num deus além das religiões. Não saberia dizer. Mas o fato é que eu não deixo minha vida ser guiada por isso. Como você, mantenho a minha consciência limpa, sempre que posso.

Abraços.

∆٭♥∞