Nesses últimos dias parei pra pensar no poder do adeus — mas não o "adeus" usual, o até logo que serve de intervalo entre os encontros. A propósito, já perceberam que só nos despedimos com o pesado e formal "adeus" quando temos a intenção de torná-lo definitivo? Tamanho é o poder do adeus que até temos receio de usá-lo, afinal, significa abandonar permanentemente algo/alguém...
Em uma de suas melhores músicas (a que entitula o post), Madonna diz que não existe maior poder do que o poder do adeus. E eu quase chego a concordar. É claro que eu não me refiro apenas às despedidas definitivas; o verdadeiro poder do adeus é o poder do eterno e constanta desapego!
Hoje em dia criamos muitas necessidades "de vida ou morte". Francamente: até comer, beber, dormir, respirar e excretar, que são necessidades humanas reais, sofrem alguma tolerância mínima e, dentro dos limites, podem ser adiados. Entretanto, nossas maiores necessidades cotidianas tornaram-se irrelevantes: ter uma roupa nova para uma festa, assistir ao filme tal, ter um namorado constantemente, comprar a novidade tecnológica da moda, acessar o Facebook 2 vezes por dia, assistir ao último episódio de True Blood, etc etc etc... eu mesmo mantenho boa parte dessa lista como algo de moderada importância.
Bem, isso é algo natural: como humanos que somos, criamos vínculos com aquilo que nos agrada. Se uma experiência é (dentro nos nossos parâmetros) prazerosa, então temos vontade de repeti-lá, mesmo que não seja algo plenamente saudável. E convenhamos que isso acontece com uma freqüência absurda, ao conhecer pessoas, ao degustar comidas e bebidas, ao experimentarmos novos lugares, ao interagirmos com objetos, etc. O problema é que nossos vínculos quase sempre ultrapassam o limite do prazer pro patamar de "apego necessário". Basicamente, um vício em pequena ou grande escala.
Não, eu não estou aqui pra fazer a linha falso-moralista do desapego material, da abstinência sexual, do anti-alcoolismo ou anti-tabagismo e afins. Acho que esse modelo cristão de ver as coisas é absolutamente prejudicial, tornando todas as formas de prazer em pecados capitais. Séculos de privação global do prazer humano tornaram nossa sociedade hipócrita, preconceituosa, auto-punitiva e infeliz, e se existe algum tipo de "salvação" depois de todo esse desgosto, acredito firmemente que ela não me apetece e não vale a pena. Sim, meu sobrenome poderia ser "hedonismo", desde que praticado com moderação.
O grande problema do nosso apego desmedido é que ele adquire caráter de necessidade. Não basta gostar de chocolate, é necessário ter uma dose à disposição o tempo todo ou com uma freqüência estável e fixa, caso contrário, ficamos frustrados. O exemplo acima ilustra a forma como tratamos as coisas que nos proporcionam algum tipo de prazer: primeiro apreciamos uma experiência, depois desejamos repeti-la, depois precisamos de uma freqüência estável em nossas vidas e, antes que possamos perceber, uma interrupção ocorre e entramos em algum grau de abstinência, sofrimento e frustração pela ausência do que desejamos. Façam uma auto-avaliação e perceberão que isso acontece a toda hora, todos os dias e com as coisas mais bobas. A melhor prova disso são as marcas: quantas vezes e quantas marcas você experimenta de um determinado produto antes de decidir qual é o melhor?
E finalmente entrando no foco do assunto, vocês observaram como é realmente grande o poder do adeus? O poder de dizer adeus às coisas sem sofrer com o fato? A capacidade de aproveitar uma circunstância de prazer e apenas apreciá-lá como se fosse a última vez, ao invés de criar vínculos de necessidade que provavelmente terminarão em frustração? Imaginem quanto sofrimento social, afetivo, financeiro, material e sexual evitaríamos. Imaginem quantas situações de lamento e perda deixariam de existir. Imaginem como iríamos encarar melhor situações de perda e roubo material, términos de relacionamentos, falecimentos de entes queridos e similares. Imaginem ainda como nossas vidas seriam mais intensas, emocionalmente falando: iríamos aproveitar o que já consideramos como "bobagens cotidianas" com muito mais vida, como um nascer/pôr do sol, um sorvete de creme, um abraço de quem a gente ama, um pequeno capricho ou conquista realizada...
E ao chegar a essa conclusão, do quão poderoso é o poder do adeus, eu percebo o quanto ainda somos pouco evoluídos emocionalmente e, por que não, espiritualmente; o quanto ainda temos que aprender; e, principalmente, o quanto uma maioria esmagadora de humanos vai continuar reclamando da vida e se sujeitando a auto-punição apenas porque não foram capazes de aprender algo que sempre esteve diante dos olhos, mas não foi visto.
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8 de outubro de 2011
THE POWER OF GOOD-BYE
21 de outubro de 2010
DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS
Um pensamento intrigante me tirou o sono ontem de madrugada: você já parou pra pensar que seus sentimentos por alguém dificilmente são retribuídos da mesma forma, em níveis de “quantidade” e “importância” equivalentes? Se você discorda, observe cada caso, pois eu não me referi exclusivamente a relacionamentos. Aplique o auto-questionamento acima entre você e seus conhecidos, seus amigos, seus colegas de trabalho/estudo, seus familiares, etc. É raro que alguém tenha consideração, respeito, sentimentos, afinidade e grau de importância equivalentes ao que você oferece a esse alguém. E não, isso não é uma crítica específica a alguém, nem a você e nem às pessoas de uma forma geral, mas sim uma observação que vale a pena ser feita.
Na balança sentimental e social, equivalência é uma coisa rara, geralmente são “dois pesos e duas medidas”. E isso não acontece porque a maioria das pessoas é ingrata ou mau-caráter. Na verdade, as particularidades individuais influenciam poderosamente naquilo que é ou não relevante pra nós. E por mais que você ofereça constantemente aos outros aquilo que acredita ter grande valor, estes podem ter uma opinião de valores bem diferente da sua. Acredite!
Exemplificando: eu tenho 4 “melhores amigos”, amigos de verdade, amigos que estão em níveis iguais de importância acima dos demais. São duas mulheres (A e B) e dois homens (C e D).
A amiga “A” é a minha primeira amiga, conheço-a desde que eu tinha cerca de 5 ou 6 anos. Com ela eu vivi situações de aprendizado que datam da época escolar até os dias de hoje. Nos entendemos e comunicamos numa mera troca de olhares. Enfrentamos preconceitos juntos na infância/adolescência: eu por ser magricelo, ela por ser gordinha, ambos por sermos “inamoráveis”. Agora, adultos, enfrentamos novos preconceitos juntos: eu por ser gay, ela por ser bi (a única bi genuína que eu conheço!). Tivemos criações muito similares, temos valores muito parecidos, crescemos juntos, obviamente, temos muito em comum. Ela é a minha melhor amiga e eu sou o melhor amigo dela. Tenho absoluta certeza (diariamente e pessoalmente confirmada) de que ela tem por mim a consideração, o amor, o respeito, os sentimentos, a afinidade e o grau de importância exatamente igual ao que eu tenho por ela.
A amiga “B” (a Danone) é, além de uma gigantesca amiga, uma professora de vida (já falei disso antes aqui). Apesar de conhecê-la há relativamente pouco tempo, compartilhamos de valores muito semelhantes. Entretanto, ela tem bem mais idade que eu e, conseqüentemente, mais experiências de vida (positivas e negativas); ela é mãe, sustenta a sua família e tem responsabilidades que eu ainda não compreendo. Sinto que ela me dá um valor que eu não possuo totalmente e, talvez por isso e por nossas sutis diferenças, eu não consigo retribuir totalmente toda a importância que ela merece, apesar de amá-la profundamente. É um caso onde eu ofereço menos do que recebo.
O amigo “C” é um grande amigo que eu conheci recentemente, na faculdade. Já nos conhecemos com nossas personalidades totalmente formadas, tivemos criações completamente diferentes, temos grande divergência de opiniões, nascemos e crescemos sob culturas totalmente distantes. Vale mencionar que ele é um garotão heterossexual típico. E apesar de tantas diferenças, sinto um carinho por ele que ultrapassa os limites da amizade e beira a quase-paternidade, apesar de ser mais novo que ele. Sinto uma forte necessidade de manter contato constante, de ajudá-lo sempre que possível, de tentar entender e questionar positivamente suas opiniões, de sempre estar presente na vida dele. Por outro lado, pela divergência absurda de opiniões, a forma de ele demonstrar amizade seja diferente demais da minha. Sinto que, em graus de importância, eu o valorizo muito mais do que sou valorizado. É um caso onde eu ofereço mais do que recebo.
O amigo “D” (o Laisse-Faire, também mencionado aqui) é um amigo que eu conheci durante a minha adolescência e é 3 anos mais velho que eu. Durante muitos anos, nossa amizade foi quase inexistente e bastante ausente, com encontros esporádicos. Há alguns anos, começamos a aumentar drasticamente o nosso contato. Considero-o um sujeito excêntrico (até demais) e bastante paciente, características das quais não compartilho. Somos bastante diferentes, apesar de termos sim algumas coisas em comum. Aqui existe um caso de oscilação de equilíbrio da amizade. Por oras (e sem motivos especiais) ele se torna importante pra mim e eu o procuro. Da mesma forma, por oras eu me torno importante (sem motivos especiais) pra ele e sou procurado. Em outros momentos, somos “esquecidos” temporariamente um pelo outro e a vida continua. Sinto que nossos níveis de importância, sentimentos, respeito, etc, são quase similares, mas com margens de oscilação de uns 25% para mais ou para menos, em ambos os lados.
E é claro, existem pessoas ingratas sim, aproveitadores que se beneficiam da má fé e generosidade alheia (em todos os sentidos) sem pensar em retribuir nada em troca. Também existem os casos de “complexo de Sol”, onde o indivíduo acredita ter um valor maior do que realmente tem, um super ego que menospreza o que lhe é oferecido porque acredita sempre merecer mais. Existem também os casos acidentais, de má comunicação, onde a sutileza das demonstrações de afeto, sentimento e importância é tão grande que tudo passa despercebido. E existem também os casos que, de tão exagerados e efusivos (quase sempre falsos), são simplesmente desconsiderados, mesmo que sejam verdadeiros.
Essa observação sobre o desequilíbrio entre as duas partes da balança sentimental e social é interessante porque nos faz refletir algo presente na vida de muitas pessoas: a IDEALIZAÇÃO. É muito comum criar expectativas exageradas sobre pessoas que, muitas vezes, não podem ou não querem concretizá-las. E isso pode acontecer por trás de cada caso de amor platônico, de decepção nas amizades, de assincronia sentimental entres casais. E pra evitar tais situações, é fundamental criar estratégias para não se machucar e ser realista e sincero o suficiente com os outros, para não machucá-los. Na pior das hipóteses ou em casos de dúvida, evite grandes sentimentos: quanto menor o vôo, menor a queda, basicamente.
Reflitam... e ouçam uma música que tem tudo a ver com o assunto!
15 de outubro de 2009
BLOG ACTION DAY 2009
Eu não sou exatamente um otimista, mas vejo que as pessoas mudaram um pouco a sua forma de pensar quando se fala em “meio ambiente” e do caminho sem volta que ele pode ter se as coisas continuarem assim. Antes as pessoas eram mais descrentes, pensavam que poderiam destruir e consumir os recursos do mundo sem se preocupar com o amanhã. Hoje, quando percebem que os invernos castigam regiões com tempestades poderosas e enchentes, enquanto os verões carregam a seca e um calor infernal por todo canto, as pessoas se dão conta de que algo não está “normal”. E por favor, me inclua entre essas pessoas.
Lembro de uma propaganda que passava quando eu ainda era bem novo, era muito forte, apareciam árvores sendo cortadas e um ruído de choro, desespero e gritos de agonia como pano de fundo. Eu morria de medo e pena da propaganda, eu sabia que cortar árvores não era legal, mas sabia que era necessário porque assim se fazia o papel e, conseqüentemente, os cadernos da escola... e minha mãe sempre me disse que eu devia estudar pra ser alguém na vida. Eu acreditava que as árvores podiam ser cortadas, desde que fossem pra fazer os livros e cadernos (e os lápis, principalmente se fossem lápis de cores). E desse antigo e inocente pensamento nota-se como os humanos justificam seus atos com desculpas esfarrapadas.
Já passou da época de especular “o que pode acontecer” com o planeta se continuarmos no mesmo rumo. O consumismo, a despreocupação com o meio ambiente, o descaso de nem tentar ser sustentável, a caça e a pesca não controladas, as queimadas, a poluição em larga escala, a ausência de grandes programas de reciclagem e reaproveitamento da água, o abuso dos derivados do petróleo e da produção de energia baseada em combustão e TODOS os outros atos anti-ambientalistas do nosso mundo atual são uma realidade. E tão realidade quanto eles são os efeitos que eles já causam e continuarão a causar no nosso mundo: desastres climáticos (já comentados), desequilíbrio do ecossistema, extinção de espécies, aquecimento global, escassez de recursos naturais, etc.
Eu não sou ambientalista, não sou um eco-chato, não sou vegetariano (apenas porque é incompatível com meu paladar), mas sou consciente. Sei o que é prejudicial à natureza e, na medida do possível, faço o que posso fazer dentro das minhas limitações. Evito desperdícios, jogo o lixo no lixo, reaproveito tudo o que posso, quase mato um indivíduo que tenta jogar lixo na rua na minha frente, procuro comprar cadernos, livros, resmas de papel, lápis e lápis de cores de empresas que fazem reflorestamento, etc. E apesar de saber que é pouco, tenho a consciência de que poderei fazer mais quando estiver em minha própria casa. E tenho a consciência de que se todos fizessem esse “pouco” há mais tempo, não estaríamos tão próximos dessas calamidades.
Se você também é um desses mensageiros do apocalipse e carrega a mensagem de que o fim está próximo por conta da “ira de Deus”, saiba que boa parte desse “apocalipse” é culpa da conivência e do abuso dos humanos em relação à seu próprio planeta. Se você é despreocupado, alerte-se: logo pode ser tarde demais pra se preocupar. E se você é consciente ou ambientalista, continue fazendo a sua parte e convencendo mais pessoas a abraçar essa causa... o mundo agradece!
OBS: esse post faz parte do Blog Action Day 2009, um movimento com mais de 10 mil blogs de todo o mundo postando sobre o meio ambiente e as alterações climáticas no dia 15 de Outubro de 2009. O Blog Action Day faz, anualmente, um dia de discussão em vários blogs, com a intenção de refletir e agir em prol de um mundo e um futuro melhor.
29 de junho de 2009
CURTAS E RÁPIDAS
Em primeiro lugar, eu quero pedir desculpas por interromper a série de posts (Qualidades + Defeitos = Personalidade), mas é que existe certa urgência em falar sobre dois temas enquanto eu sinto a emoção do momento...
A - FUTEBOL & PRECONCEITO:
Trata-se de um bate-boca entre jogadores de futebol. Mas antes de mais nada, que fique bem claro:
1- Eu não sou fã de futebol, assisto só quando não tenho nada MESMO pra fazer;
2- Eu não torço pra nenhum time em especial e acho o cúmulo que ainda existam brigas de torcidas;
3- Eu assisto, voluntariamente, apenas aos jogos da Copa;
Por isso soube apenas que, em um momento (não me perguntem as circunstâncias) de um jogo entre dois times brasileiros (não me perguntem quais), dois jogadores começaram a discutir e partiram pra ofensa verbal. De acordo com a fonte (um amigo meu, viciado em futebol), um chamou o outro de “viado”, que respondeu, chamando-o de “macaco”. Do bate-boca dentro do campo, essa história foi parar na polícia: o jogador insultado pelo “macaco” – e por ser negro – se sentiu ofendido e abriu um processo por racismo. O jogador processado, por sua vez, precisou depor na polícia pra se explicar e, aparentemente, não revidou o processo (mesmo sendo chamado de “viado”).
Se a história é verdade? Sinceramente não me interessa. Me interessa SIM saber que essas coisas acontecem a toda hora e em toda parte do mundo. A pergunta que não quer calar é: se o jogador que xingou o outro de "macaco" vai responder por racismo, por que aquele que xingou de "viado" não responderá por homofobia?
As respostas são várias (hipocrisia é a melhor delas), mas vamos nos ater aos fatos: racismo é crime, homofobia não é. Simples assim. E se hoje racismo é crime é porque, no passado, alguém (pra não dizer centenas de pessoas) lutou pelos direitos da etnia negra e impôs a igualdade de acordo com os princípios da Declaração Universal dos Direitos do Homem (da ONU). Muitos foram à luta, não se conformaram nem se calaram diante das injustiças, não se omitiram diante das pressões, não temeram as represálias. E embora muitos militantes da diversidade sexual façam sua parte, a maioria dos GLBT AINDA acha que isso é coisa de gente que não tem o que fazer, de gente revoltada...
Fica também a alfinetada: os negros sabem (ou será que já esqueceram?) o que é sofrer com o preconceito, sabem como é difícil conquistar seus próprios direitos sendo uma “minoria” social. Então pergunta-se: como podem existir ainda tantos negros homofóbicos?[...]
B - MONOGRAFIA:
Monografia é realmente como um filho: você começa a gerar (por eventualidade ou obrigação), vê tudo se desenvolvendo lentamente e por fim precisa completar todo o processo e – literalmente – parir.E FINALMENTE EU CONCLUÍ TODO O PROCESSO DA MONOGRAFIA!!!
A apresentação foi completamente perfeita, a banca me encheu de elogios (e correções também, claro!), eu me emocionei, minha família e meus amigos estavam lá, o momento foi praticamente perfeito e como nota final: DEZ!
Eu admito que eu não ia ficar 100% feliz se não fosse um 10, poderia até me conformar com uma nota razoavelmente menor, mas não seria a mesma coisa. Isso porque eu sei o empenho e o esforço que foi gasto nessa joça! Sei quantas noites de sono foram perdidas, quanto stress eu passei e o quanto foi difícil fazer tudo em tempo recorde – graças ao meu atraso total, ou seja, fiz uma monografia de exatas 100 páginas em apenas UM MÊS! Mas eu confesso também que me surpreendi com a nota, principalmente por causa da minha dicção ligeiramente enrolada e acelerada, que só piorou com a tensão do momento.
Mas tanto faz, já passou, estou praticamente formado e agora vocês podem me chamar de Dr. Syn!!! Não existiu em toda minha vida um momento de tanto alívio, descompromisso com “o que vou fazer amanhã” e maior reconhecimento pela minha família e pelos meus amigos... estou definitivamente e irrevogavelmente FELIZ!
Obrigado a todos pelo apoio, incentivo e credibilidade!!!
OBS: No próximo post eu continuo com a série “Qualidades + Defeitos = Personalidade”, tá? Abraços!
22 de janeiro de 2009
O FIM DA MINHA (NÃO) VIDA VIRTUAL
A (não) vida virtual que me refiro é a dos MMORPG, sigla em inglês para “Jogo de Interpretação de Personagem Online e em Massa para Múltiplos jogadores”. Coisa de nerd como eu mesmo. Nesses jogos você constrói um personagem específico, aplica alguma customização (como cor dos olhos e cabelos, porte físico, sexo e em alguns casos raças), escolhe uma especialização quase sempre medieval (mago, cavaleiro, sacerdote, caçador, etc) e é largado num mundo on-line com mapas gigantescos pré-definidos. A diferença de outros jogos similares é que além de interagir com personagens artificiais, você também joga com outros jogadores. Uma verdadeira sociedade virtual para os alienados da sociedade real.
Em épocas passadas (que eu prefiro nem lembrar muito por vários motivos-trevas), eu cheguei a conhecer, jogar e até me viciar em um desses jogos, o WOW. WOW é a abreviatura de “World of Warcraft”, um famoso MMORPG (dizem ser o mais jogado deles) de uma das empresas gigantes no mercado de jogos, a Blizzard.
O que me atraiu num jogo desses foi um misto de admiração pela semelhança com os RPGs tradicionais, gráficos legais, boa jogabilidade e, admito, pura solidão (logo mais eu falo sobre isso). O que interessa no momento é que eu comecei a jogar o tal WOW. Mas entenda: jogar um MMORPG é coisa pra pessoas MUITO nerds e dotadas de considerável paciência.
Pra que qualquer um consiga entender o quanto isso é verdade, os personagens no WOW podem evoluir para um máximo de 70 níveis (na época em que eu jogava, hoje em dia é 80). Evoluir um mísero nível equivale a perder entre 25 minutos a 2 horas do seu dia, já que quanto maior o nível, mais difícil e demorado é. E não é algo tão divertido, a tarefa inclui matar monstrinhos, animais, feras psicodélicas, humanóides e criaturas mitológicas... e fazer missões, algumas bem idiotas como “mate 10 leões a norte daqui”, sendo que só podem ser AQUELES LEÕES e você não precisa levar nada como prova, afinal você não mente, nem que quisesse. Sério. É objetivo de todos terem os famigerados 70 níveis, mas o teste da paciência não acaba aqui. Seu personagem não será poderoso se não possuir os melhores equipamentos, como armas, armaduras e acessórios, tudo mágico, claro. E não pense que é fácil conseguir toda essa tralha. São no mínimo 15 itens pra equipar o personagem da cabeça aos pés. Você perde no mínimo 4 dias pra conseguir um ou dois itens, no máximo.
Tá, mas porquê o Syn ta falando isso tudo sobre um jogo? Longe de mim vir aqui fazer um discurso moralista de que jogos (ou MMORPGs) fazem mal ou que eles manipulam sua mente, nada do tipo. Detesto esse tipo de afirmação que só subestima a personalidade de cada um de nós. Mas se você quer ocupar espaço vago, esquecer de alguém ou alguma coisa ou simplesmente se isolar, o aviso está dado: não caia nesse mundo. Principalmente se você realmente não está bem. Os MMORPG são jogos que absorvem você. Eles exigem de você sucesso, poder, arrogância, exibicionismo. Exigem o máximo, e isso requer tempo, e no caso do WOW original, dinheiro (um bimestre por 60 reais). São jogos bons, empolgantes e até divertidos por manterem amigos virtuais e distraírem um pouco. O problema é que, justamente pelo excesso de tempo que ele devora da sua vida, a tendência é não conseguir sair nem dos seus problemas e nem do jogo. Fracasso completo.
A minha (não) vida virtual acabou em outubro de 2008, sem muitos esforços, sem muitos entraves. E eu tive ajuda de um amigo virtual pra isso. Uma simples frase dele foi suficiente:
– "Vida social é uma coisa completamente diferente de se encontrar com amigos virtuais e bem mais eficiente na cura de frustrações. Agora fecha o WOW e se manda daqui!"
Em tempo: este texto foi direcionado pra pessoas que buscam nos MMORPGs qualquer tipo de refúgio, válvula de escape, e afins. Se você gosta de WOW (ou outro MMORPG), se sente bem e não teve grandes complicações ao jogá-lo, este post deve ser ignorado.
Obrigado.
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