Resumindo: esqueçam o que eu disse no post passado. Eu estava errado: eu só amo afetivamente uma pessoa por vez, e desta vez eu não sei por quanto tempo vai durar.
Boa noite.
15 de março de 2014
8 de março de 2014
TU TE TORNAS ETERNAMENTE DECEPCIONADO PELAS EXPECTATIVAS QUE CRIAS
A gente se dá conta do quanto a vida é complexa quando certezas que parecem gigantescas, indestrutíveis e absolutas simplesmente desmoronam. Você poderia dizer "eu te amo" de todo seu coração, com a conotação totalmente afetiva e pra duas pessoas totalmente diferentes? Eu acreditava que não. Hoje eu tenho certeza que posso sim. E isso é assustador!
Não, eu não sou um canalha, logo, eu não estou namorando dois caras ao mesmo tempo. Ao contrário, terminei um relacionamento recentemente, por esse e alguns outros motivos, mas fez eu me sentir meio deprê e pensar bastante no assunto...
Um dos homens que eu amo é o meu extremo oposto. Ele é fogo e eu sou terra. Ele é o brilho, a intensidade, a ferocidade e efemeridade. Eu sou a estabilidade, a resistência, o conforto e a durabilidade. Nós estivemos juntos por alguns meses, o que me proporcionou uma felicidade tão múltipla, tão bonita e que eu jamais tive antes com alguém. Entretanto, ele teve grande dificuldade de digerir esse sentimento e, assim, me deixou. Poucos sabem o quanto eu sofri naqueles dias, o quanto eu aprendi no processo de superar o término, o como foi difícil seguir adiante e o quanto eu o quero de volta... mas com inúmeras condições de mudanças - minhas e dele - que eu não tenho certeza se algum dia ocorrerão. Ainda nos falamos, ainda gostamos muito um do outro, mas não estamos juntos em quase nenhum sentido.
O outro homem que eu amo ainda não é tão "homem", é mais como um menino. Ele parece muito comigo em vários aspectos: ambos somos terra, mas vemos a vida por ângulos bem diferentes. Vivemos uma história bonita de amor e de companheirismo que durou pouco mais de 5 meses, mas que acabou recentemente, desta vez porque eu quis e por inúmeros motivos além do já mencionado. Ainda o amo, mesmo que nosso relacionamento tenha se tornado numa espécie de amizade mal explicada. Ao deixá-lo, pensei que ele seria aquele que mais fosse sofrer entre nós dois, o mais fragilizado pela situação. Me enganei completamente, embora não tenha me arrependido da decisão do término.
O outro homem que eu amo ainda não é tão "homem", é mais como um menino. Ele parece muito comigo em vários aspectos: ambos somos terra, mas vemos a vida por ângulos bem diferentes. Vivemos uma história bonita de amor e de companheirismo que durou pouco mais de 5 meses, mas que acabou recentemente, desta vez porque eu quis e por inúmeros motivos além do já mencionado. Ainda o amo, mesmo que nosso relacionamento tenha se tornado numa espécie de amizade mal explicada. Ao deixá-lo, pensei que ele seria aquele que mais fosse sofrer entre nós dois, o mais fragilizado pela situação. Me enganei completamente, embora não tenha me arrependido da decisão do término.
Eu ainda sou amigo de ambos. Eu ainda converso com eles com razoável frequência. Eu ainda os amo. Eu ainda consigo vê-los como homens maravilhosos. Eu seria capaz de namorá-los novamente. Todas essas definições me parecem certas e ainda mexem com meus sentimentos, embora elas pertencem essencialmente e unicamente aos meus pensamentos, já que os motivos que justificaram os dois términos não foram resolvidos e as probabilidades de retorno com qualquer um deles é pra lá de remota...
O que eu ainda não sei é o que fazer ou como lidar com essa confusão. Eu sempre fui fiel a quem está comigo devido à entrega que eu dou ao sentimento que tenho. Agora, com essa nova experiência, me pergunto a toda hora a quem eu entregaria minha fidelidade. Questiono constantemente a possibilidade de amar dois homens ao mesmo tempo e, caso eu esteja enganado, qual deles eu realmente amo e qual eu apenas acho que amo. Perco as certezas que eu guardo e conservo cuidadosamente e sofro ao tentar organizar meu mundo sem elas, questionando, moldando e reconstruindo novos pilares.
O que eu ainda não sei é o que fazer ou como lidar com essa confusão. Eu sempre fui fiel a quem está comigo devido à entrega que eu dou ao sentimento que tenho. Agora, com essa nova experiência, me pergunto a toda hora a quem eu entregaria minha fidelidade. Questiono constantemente a possibilidade de amar dois homens ao mesmo tempo e, caso eu esteja enganado, qual deles eu realmente amo e qual eu apenas acho que amo. Perco as certezas que eu guardo e conservo cuidadosamente e sofro ao tentar organizar meu mundo sem elas, questionando, moldando e reconstruindo novos pilares.
Me resta a opção de sentir a decepção múltipla, pelas expectativas depositadas nesses dois relacionamentos fracassados, nesse amor sem resolução e na antiga certeza de que só se ama afetivamente uma pessoa por vez nessa vida.
26 de janeiro de 2014
TANTO TEMPO
Bem, vocês devem ter reparado o meu sumiço. Ou não. Honestamente, nem lembro qual foi a última vez que postei algo aqui e nem sei mais a que frequência voltarei a escrever. As coisas mudaram um pouco por aqui, afinal, eu envelheci um tanto, a necessidade de expor essas minhas idéias tomaram novas formas não tão organizadas e claras. Nesse meio tempo, eu voltei a desenhar, a me exercitar, aumentei consideravelmente meu número de amigos, adotei uma (nova) religião e tudo isso me trouxe novas formas de deixar essa corrente de informação fluir e sair de mim.
Fato é que, além das novas formas de me expressar, a necessidade de fazê-lo também diminuiu consideravelmente. Talvez porque antes eu acreditava que existia algo de especial nisso, que isso tinha um significado profundo pra mim, nem tanto pros outros. De alguma forma, era o jeito que eu conseguia me comunicar com... alguém, entendem? Aqueles foram tempos difíceis de expressão efetiva e de encontrar pessoas que me ouvissem por puro interesse, não por favor ou por qualquer outro fator. Hoje eu estou mais velho, um tanto menos encantado, um bocado mais realista e meio surrado na vida. Hoje em dia eu tenho meu trabalho, minha grana, minha independência, minha visão individual - nem tão radical, nem tão inflexível ou induzível - e, honestamente, uma bela parte dos problemas que eu achava que tinha quando ainda escrevia mais por aqui naturalmente desapareceu.
Mas é engraçado admitir: hoje eu estou triste, totalmente quebrado e confuso por dentro. Eu, às 5:30 da manhã, sem sono, atormentado por meus problemas, esclarecido e preparado o suficiente pra saber como lidar com eles (mesmo que sem resolvê-los), ironicamente volto aqui pro meu blog pra escrever algo, pra tentar de alguma forma fazer eu me sentir melhor, apesar de toda a falação acima. Bem, muitas coisas mudam nas nossas vida, mas as coisas que tem o potencial de te jogar pra cima ou pra baixo são relativamente as mesmas pra todo mundo: amores, saúde, relações sociais, familiares e laborais, situação financeira, etc; tudo isso, essas inúmeras variáveis da vida que vocês conhecem tão bem quanto eu. O que acontece comigo não é nada que vocês já não passaram ou ouviram passar com algum conhecido, ou num filme; tornar o Sinapses um diário de bordo do que passa comigo não é mais meu objetivo embora ele possa vir a se tornar isso, tipo hoje. Escrever aqui sempre que eu tinha um problema ou uma grande opinião sobre algo me ajudou muito no passado, mas não sei se ainda fará o mesmo no futuro. Defender causas (como contra o machismo, a homofobia, a saúde pública e a situação política atual) também já não me apetece tanto, já que o mundo precisa mais da gente lá fora, tentando mudar algo, e menos escrevendo por aqui (embora, claro, eu saiba que isso tenha sim a sua importância).
Eu não sei o que o Sinapes vai se tornar, não sei quando eu vou voltar, não sei mais porque ou como escrever, até que o Blogger mudou bastante desde a última vez que vim aqui. O Sinapses é uma parte gigante e importante da minha história, ler nos comentários as opiniões concordantes e discordantes, os conselhos, o apoio, a atenção de vocês, tudo isso foi decisivo pra aprender que tudo o que eu falo tem seu peso e suas consequências. Eu quero fazer este local voltar a ser algo importante pra mim novamente, e eu tentarei. Eu só ainda não sei como.
De qualquer forma, obrigado pela atenção.
13 de janeiro de 2013
A ORIGEM DO MAL
Quando é que nasce o argumento interno que justifica o bullying? A pergunta é dolorida e honesta: em que momento a criança se sente superior ou confortável com o sentimento de segregação, agressão e sofrimento alheio? Eu mesmo tenho um histórico desagradável de bullying infantil, embora já superado ao menos no nível consciente; primeiro por ser magricelo demais, depois por ter traços e comportamentos que me qualificavam como afeminado, depois por minha inaptidão para o esporte típico do brasileiro (futebol), depois por minha aptidão com desenhos, artes e cores, e finalmente por ser o típico nerd (cdf, como dizem por aqui) que vivia na ponta da frente da sala de aula. E lembro que mesmo muito cedo, no jardim de infância, ao olhar para os lados, eu já pertencia a um grupo dos que “não pertenciam”, de excluídos, que incluíam os filhos dos menos ricos, os menos bonitos (porque eu definitivamente não fui uma criança bonita), enfim, dos que não eram “parecidos com a maioria”, embora eu sequer saiba explicar o que qualifica essa “maioria”.
Mas em que momento isso começa? Será que é resultado da observação dos pais da criança, de como esses pais tratam amigos, parentes, empregados e chefes? Ou será que já é uma característica tão inata e tão individual que não pode ser separada ou suprimida da formação da personalidade? Porque crianças tão imaturas, com 3 ou 4 anos, são capazes de hostilizar gratuitamente, às vezes com certo grau de prazer sádico, outras crianças diferentes? Como esse comportamento passa despercebido, ou pior, acaba por ser ignorado por pais e professores que o observam? Até que ponto é natural deixar que crianças aprendam sozinhas a lidar com as diferenças alheias, ainda que de forma hostil, na construção do conceito do “eu” e do “o outro”?
E nessa, eu não me incluo só como vítima, porque é fato que a reprodução do comportamento agressor e opressor ao próximo nos cai bem como alívio das nossas próprias singularidades não aceitas. Quem nunca cometeu bullying contra um colega apenas para se sentir bem e superior a alguém, mesmo sendo vítima desse mesmo comportamento?
São perguntas que eu realmente não sei responder, mas acredito que nessas respostas mora a grandiosa explicação (e potencialmente a fonte da solução) para entender como o sentimento precoce de individualidade e de pertencimento a um grupo “aceito social” justifica o assédio e agressão física/social/psicológica ao outro “diferente” ou “inferior”, ainda que em níveis automatizados ou feitos sem a consciência total da agressão; e pra entender como esses sentimentos e justificativas se enraízam na personalidade do indivíduo de forma a construir preconceitos tão sólidos e resistentes na idade adulta.
Seria o bullying a semente que germina o preconceito?
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Surtos
10 de janeiro de 2013
OS ANORMAIS
No meio do ano passado, conversando
com uma amiga a respeito dos meus melhores amigos, dizíamos que não tenho
amigos normais. Tá que de perto ninguém é normal, mas a anormalidade a que nos
referíamos dizia respeito a bloqueios severos em algum âmbito da vida; onde o
indivíduo trava totalmente, arranja um jeito de suportar e lidar com a
limitação, nega a sua existência em algum grau e, finalmente, mascara
insuficientemente essa condição.
A variedade dos bloqueios dos meus
amigos é grande: tem o metódico compulsivo; tem aquele nega tudo; tem aquele
que criou seu código moral estreito e antiquado e que é totalmente oposto ao seu
próprio jeito de viver; tem aquele cuja identidade é uma colcha de retalhos
daqueles com quem convive; tem aquele que conseguiu resolver praticamente quase
tudo na vida, mas que não está de acordo com sua crença espiritual; tem aquele
que, por ser inseguro, busca pessoas inseguras pra relacionamentos; tem o
contraditório ambulante; etc.
Daí, eu e essa amiga chegamos à
conclusão que eu atraio gente anormal, o que gerou outra pergunta: qual seria a
minha anormalidade, o meu bloqueio? Primeiro pensei que pudesse ser uma mania
irritante que eu tenho, de diagnosticar e tentar resolver os problemas dos meus
amigos, mesmo quando não sou chamado para tal tarefa. Depois mudamos de assunto
e o tema ficou pra trás, mas na minha cabeça, o tema continuou em atividade por
um bom tempo...
Acredito mesmo que as pessoas vêm
a este mundo por um motivo, e eu não falo naquele tom profético, de “cumprir
uma missão divina”, ou entusiasta, de “deixar algo importante para a
posteridade”. Na minha crença, as pessoas vêm a este mundo aprender alguma
lição importante, a lidar com uma, várias ou um conjunto interligado de limitações.
Identificar, compreender, resolver e ter sucesso (ou não) nesta tarefa é o que
eu considero o grande diferencial quem é feliz e quem é infeliz. Sendo assim, o
que eu possa considerar comicamente como uma “anormalidade” nos meus amigos,
pode muito bem ser o motivo que os trouxe pra esta existência. Quem vai saber?
E associando todas essas ideias,
crenças e convicções, acho que eu finalmente descobri qual a minha “anormalidade”:
aceitar derrotas e engolir minhas insatisfações. Sem esse papo de eu ser
pessimista, até porque minha vida é relativamente fácil e boa; se eu olhar pra
diversos aspectos da minha vida que podem ser considerados complicados, de
resolução quase impossível pra muitas pessoas, pra mim a maioria deles são
bobagem já resolvida, e isso me faz pensar que eu tenho muita sorte na vida.
Nunca passei fome ou sede, nunca tive doenças graves, nunca perdi pra morte
alguém de grande relevância; tive acesso facilitado à educação, informação,
ensino superior e a um bom grau de cultura; sempre estive rodeado de
verdadeiros amigos por onde passei (mesmo que ocasionalmente estivesse na
companhia de falsos-amigos), nunca fui alvo de gente realmente malvada, não me
considero vítima grave de violência, discriminação, mazelas sociais; tenho
condição financeira mediana, mas ainda assim, é bastante elevada se comparado a
uma gigantesca faixa da população. Não consigo me colocar no papel de vítima da
vida porque, pra ser sincero, a minha vida é bastante “fácil” em termos
práticos. Mas existe um pequeno porém...
Existe uma grande diferença entre
o que você tem e o que você quer. Existe uma grande diferença entre o que a
vida te proporcionou e o que você não foi capaz de conquistar, independente do
quão difícil e intensa foi a sua luta pela conquista. E é aí que eu enxergo a
minha maior limitação: eu não sou bom em realizar meus sonhos; na verdade,
observando a lista (pequena, acredite) daquilo que eu desejo ser/ter antes de
morrer, nenhum dos itens foi completado. Por motivos que eu conheço bem, mas
que não convém mencionar, eu não terei a profissão dos meus sonhos, nunca terei
a pessoa que amo, nunca serei capaz de compreender as questões que me afligem e
nunca conseguirei unir aquilo que eu gostaria. Em outras palavras, eu me vejo
como um eterno frustrado, que não conseguiu realizar ou conquistar o alvo dos
seus desejos mais viscerais, mesmo que sob luta contínua e árdua, mesmo quando
tudo indicava que poderia ser possível e acabou não sendo. E, pra piorar, isso soa
como um frustrado que reclama de boca cheia, afinal, como eu descrevi
anteriormente, a minha vida não é ruim ou difícil. Reclamar disso chega a ser
até ofensivo pra muita gente...
No final das contas, acho que a anormalidade
da minha vida é essa: compreender que as coisas boas e ruins virão, mas minha
vida não será severamente modificada por elas; entretanto, aquilo que entra no meu
alvo e vira objetivo de extrema importância não me será concedido, independente
do quanto eu lute e tente, não importa o quanto suor e sangue me custe. Parece
que a minha função nesta vida é aceitar que meus sonhos continuarão no plano
onde eles pertencem, o onírico, e de lá, jamais sairão.
Mas acho que eu consigo. Dói, muito,
mas não é tão difícil assim...
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13 de novembro de 2012
O INJUSTO "JOGO" DA VIDA
A vida não é um jogo, senhoras e senhores. De jogos eu conheço bem: perdi incontáveis horas da minha infanto-adolescência neles, continuo perdendo na fase adulta e certamente perderei na minha velhice. Nos jogos quase tudo é negociado: a dificuldade, os louros da vitória, os prejuízos da derrota, o número de chances e tentativas, o tempo a se permanecer jogando, a hora de parar, as consequências de cada escolha dentro do jogo. Nada disso se parece com a vida. Pra começar, nem é você quem dá o “start” inicial da vida e dificilmente será você a determinar o “game over”. As instruções que lhe são passadas sobre o “como viver” nem sempre são corretas ou fidedignas e quase sempre você aprende a essência da coisa perdendo e errando mesmo, sem direito a uma segunda chance. Se um fracasso homérico acontece na sua vida, não dá pra simplesmente voltar ao ponto onde o erro começou; e mesmo que digam que “nunca é tarde pra recomeçar”, experimente dizer isso a um ex-presidiário que acabou de sair da cadeia após 15 anos de prisão, por exemplo. A vida não é um jogo e, portanto, não deve ser tratada como um.Há algum motivo específico para essa introdução, Alysson? Sim. Na semana em que milhões de brasileiros fizeram a prova do ENEM, pergunto-me quantos desses jovens são capazes de fazer uma real avaliação da carreira que eles pretendem seguir. Eu mesmo assumo: quando fiz o ENEM, passei no infame PROUNI e entrei na faculdade, confesso que não tinha a menor idéia do que fazia um fisioterapeuta, como atuava, qual a sua média salarial, qual a carga horária média, o que teria de pior e melhor pra lidar no cotidiano profissional, entre outros. Eu tinha 17 anos, um péssimo corte de cabelo, um terrível gosto pra me vestir, comer, ouvir e ver o que o mundo me proporcionava. Eu mal sabia o que queria comer no almoço do dia seguinte, como poderia ter escolhido bem a minha futura carreira? É normal esperar de um indivíduo de 17 anos o discernimento pra escolher a carreira que vai prover o seu sustento pelo resto da sua vida? Não!Por sorte, eu abracei a Fisioterapia e ela me abraçou. Talvez por pura sorte, hoje eu esteja vivendo relativamente bem a minha profissão. Ou talvez não: foram necessários dois anos de desemprego após a formatura, frustração e pressão familiar até que eu encarei (e me esforcei pra alcançar) a única saída que me daria um emprego sem que eu dependesse da boa vontade/caridade de ninguém, ou seja, passar em um concurso. Hoje, devidamente concursado, trabalhando satisfatoriamente e regularmente no meu emprego, vejo que alguns problemas antigos desapareceram e deram lugar a novos problemas. Mas não me sai da cabeça essa sensação de estar sendo carregado pela vida, sendo levado aos rumos que ela aleatoriamente decide. E aquele papo de que eu deveria decidir, se não os caminhos, pelo menos os destinos em que eu gostaria de chegar?Que fique claro: neste post eu não critico a minha profissão especificamente (o que eu penso a respeito da Fisioterapia foi claramente exposto neste post) e nem nenhuma outra profissão. A crítica é a um padrão típico solidificado na sociedade, onde jovens são metralhados com conhecimentos sem aplicação prática (na escola), pressionados a escolher um rumo profissional numa faixa etária onde é impossível avaliar as consequências dessa escolha (na adolescência) e, em seguida, torturados num processo seletivo excludente e altamente falho (atualmente o ENEM, ou vestibulares de faculdades particulares). Os que sobreviverem vão aprender na faculdade/universidade a seguir uma carreira, seja ela prática ou acadêmica, muitas vezes sem ter a menor idéia do que isso significa, se ela é adequada aos seus anseios e necessidades. Afinal, no Brasil, parece estar claro que médicos, promotores e auditores fiscais (por exemplo) terão maior rendimento financeiro; mas também é notoriamente reconhecido que tais cargos não são adequados ou acessíveis pra qualquer pessoa e nem só de salário se vive uma vida profissional satisfeita e feliz. Aqueles que perceberem tarde demais que sua escolha profissional não foi feliz podem até tentar recomeçar, claro, mas existe uma série de fatores que podem dificultar ou até impedir o recomeço... isso quando não já é literalmente tarde demais.Refletir sobre esses pontos me deixou com um amargo gosto de insatisfação na garganta. Apesar de nada estar exatamente ruim na minha vida profissional, tenho convicção de que estou longe do patamar desejado, onde eu poderei dizer sem medo: "estou satisfeito". Tenho a impressão metafórica de que eu venho sendo um boneco de isopor flutuando no mar da vida, sendo levado pra onde as ondas querem, sem ter a chance de decidir pra onde eu gostaria de ir, e tem sido assim faz muito tempo. Talvez seja a hora de começar a andar por minhas próprias pernas, afinal, com 25 anos eu tenho bem mais preparo e bagagem pra decidir os rumos do meu futuro do que há 8 anos atrás...
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16 de agosto de 2012
SOBRE TER E SER PAI
Fiz questão de passar o dia dos pais com o meu pai neste ano. Não exatamente por ser um ano mais especial ou porque ele mereça mais que nos anos passados, pois se existe uma diferença nessa atitude - e sim, existe uma diferença - ela é produto de uma longa auto-reflexão que tive poucos dias antes dessa data comercial. E há exatos dois posts, deixei bem claro a complexa e difícil relação que tenho com o meu pai, que é o resultado direto da vida familiar (ou ausência dela) que ele me proporcionou e da diametralmente oposta visão de mundo que nós dois temos.Alguns dias antes do dia dos pais, eu me peguei pensando no quão boa tem sido a relação entre eu e ele, o meu pai. Não que ela seja sequer próxima daquela vida familiar ideal que as propagandas de margarina e as caixas de suco artificial ostentam, mas, ainda assim, está consideravelmente melhor do que foi ao longo dos meus primeiros 20 anos de vida. Ele não se mete muito na minha vida, eu retribuo e agradeço por esse comportamento. Ele não atrapalha e não se opõe quando o que eu faço o desagrada, mesmo que não também não me ajude, apoie ou participe disso. Ele não me dá despesas físicas, financeiras e emocionais e eu, mais uma vez, retribuo da mesma forma. Resta apenas uma convivência educada, de cumprimentos, de cooperação suave e bastante superficial, com algumas raras exceções. Sinceramente? Está muito bom do jeito que tá!Talvez seja porque eu não seja mais criança/adolescente, eu hoje enxergo um lado sobre a paternidade que antes eu era incapaz de ver: meu pai não é obrigado a cumprir as expectativas que eu criei em cima dele e, além disso, ele não é culpado por tudo que me aconteceu de ruim na vida. É razoável que eu tenha que aceitá-lo por ser como é, da mesma forma que eu exijo que ele faça o mesmo por mim, sem mais perguntas ou interferências. Também não é justo que eu o julgue tão rispidamente pela sua ausência, principalmente porque eu tive uma mãe bastante interessada, disposta e capaz de ocupar os espaços vagos que meu pai deixou. Eu deveria, no mínimo, agradecer pelo fato de que ele não é e nunca foi uma pessoa diretamente ruim pra mim, embora tenha feito seus estragos indiretos... mas quem nunca?E saindo um pouco mais do ponto de vista de TER um pai e passando para o de SER um pai, pergunto-me: estaria eu preparado pra essa tarefa? Porque, ao menos potencialmente, não há nada que me impeça de ser pai; embora tal pretensão não faça parte dos meus planos de curto, médio e longo prazo, pelo menos por enquanto. Eu só tenho a certeza de que ser pai é bem mais do que disseminar irresponsavelmente os próprios genes pelo mundo ou brincar de formar pessoinhas com personalidades, atitudes e escolhas numa forminha que satisfaça o seu prazer de progenitor.
Acredito que ser pai/mãe de verdade (sim, porque existem vários monstros brincando de ser pai e mãe por esse mundo) é evoluir o próprio sentido de viver, é entrar num nível novo de existência. Biologicamente, somos programados exclusivamente para cumprir uma tarefa: sobreviver, o tempo máximo possível e da melhor forma possível. A sobrevivência inclui duas modalidades: sobreviver individualmente (fisiologia pura: respirar, comer, beber, dormir, excretar, etc) e sobreviver como espécie (basicamente: procriar). Ter um filho é entender que sua sobrevivência individual é secundária perante a sobrevivência individual da sua progênie; é deixar de ser a coisa mais importante do mundo para colocar os seus filhos neste patamar de importância. E, sinceramente, acredito que poucas pessoas estão preparadas e dispostas a cumprir esse papel.
Pelo fato de eu ser um egoísta convicto e assumido, certamente não estou preparado e muito menos disposto a ter filhos. Meu nível de maturidade e inteligência emocional consegue reconhecer que no mundo existem pessoas de importância no máximo equivalente à minha (família mais próxima e amigos), mas ainda não quer ou pretende perder o posto de "Sol" para outra criatura, seja ela quem for. Apesar disso, estou bastante confortável com esta forma de levar a vida, sem previsão pra mudanças.
Consciente disso, como posso eu exigir do meu pai que ele faça por mim algo que eu nem sou capaz de fazer por um possível filho? E mais: como posso julgá-lo e afirmar que não fez/faz isso por mim? Sem parâmetros e sem o poder de ler e entender a mente do meu pai, com que direito eu posso condená-lo de ser um mau pai? Num futuro distante, onde eu já seja pai, serei eu um pai melhor do que o meu foi?Eu não pude responder essas perguntas, nenhuma delas. Portanto, continuo pensando nisso e tentando ser um filho mais razoável. Afinal, a gente nunca sabe o que nos espera quando a vida te obriga a ser na primeira pessoa aquilo que você só conhecia em terceira pessoa.
"Você sempre me ensinoua diferença do certo e do erradoEu preciso de sua ajuda,papai, por favor seja forteEu posso ser jovem no coraçãoMas eu sei o que estou dizendo"
(Papa don't preach - Madonna)
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24 de junho de 2012
"SEM-VERGONHICE" VS HIPOCRISIA
Hoje estava passando uma reportagem no Fantástico sobre manifestações contra a exposição, violência e o turismo sexual de mulheres na Ucrânia, seguido de manifestações da Marcha das Mulheres e da Marcha das Vadias; parei pra ver apenas porque se tratava dos movimentos feministas (leia antissexistas) que aproveitaram o período do Rio+20 para obter maior visibilidade. Nesse momento, uma tia criticou severamente a nudez como forma de arma política, dizendo ser só uma "sem-vergonhice" e "coisa de gente que não tem o que fazer".Fico pensativo quando acontece esse tipo de coisa. Na própria Globo, na nova versão da novela Gabriela, é abordada uma série de formas de expressão (ou falta dela) e caracterização do papel (sempre inferior) da mulher na sociedade daquele tempo, além do constante uso de rótulos: "puta", "beata", "senhora de família", "sinhazinha", "retirante", "vagabunda". E não sem críticas, a cada cena onde um homem deseja "usar" sua esposa como mero objeto do sexo, ou nas cenas onde um sujeito casado deixa sua esposa em casa e vai divertir-se no bordel da cidade com prostitutas; em cada cena dessas, a mesma tia supracitada declarava verbalmente o desprezo por tal comportamento social da época e o alívio por viver em tempos bem diferentes...Mas seria mesmo este tempo tão diferente? É fato que os movimentos anti-sexismo e anti-homofobia (uma derivada da misoginia e do machismo, tanto para gays quanto para lésbicas) mudaram drasticamente o comportamento social, mas não o suficiente pra todo mundo sentar no sofá, ver esse tipo de reportagem e achar que "isso já é ir longe demais". Mulheres ainda são estupradas; esposas ainda apanham dos maridos; o salário das mulheres ainda é 75% menor que o dos homens, mesmo quando ocupam os mesmos cargos; juízas, políticas e advogadas de sucesso ainda sofrem mais ameaças que homens nos mesmos papéis; garotas ainda são objeto de comércio no tráfico e turismo sexual; tudo isso acontece DIARIAMENTE. Mas tudo isso parece pouco, ruim mesmo é ir pras ruas brigar contra tudo isso de peito de fora. Violência é aceitável, enquanto "vulgaridade" não, é isso mesmo, Brasil?Acho impressionante a forma como o machismo consegue ser tão enraizado na sociedade a ponto de os próprios prejudicados por esse legado usarem o discurso preconceituoso contra sua própria liberdade e direito à igualdade. É o mesmo contexto que faz uma mulher mais conservadora se colocar no direito de julgar outra mulher de "vadia" e "vagabunda" apenas porque ela quis usar algo mais confortável e exposto; o mesmo contexto que um homossexual mais discreto ou mesmo ativo usa pra se colocar no direito de julgar e difamar outros gays mais afeminados ou passivos; é o mesmo contexto onde uma mulher casada e recém-mãe abdica do próprio emprego e assume o papel de mãe-em-tempo-integral enquanto o marido continua na rotina confortável de chefe da família.E apesar de tudo isso, a única atitude que eu consegui realizar foi ficar paralisado e bestificado ao ver mais uma mulher-machista e tão próximo do meu núcleo de convivência. Eu poderia tentar discutir e até educá-la sobre o contexto onde tirar a camisa e mostrar os seios é bem melhor do que ficar vendo TV e criticando sobre o comportamento alheio, mas... sinceramente? As vezes esse meu lado politizado dá lugar ao do Alysson nojentinho, que acredita que se o mundo tá nessa merda, é porque bem mais de 50% da população merece esse mundo. Porque aqui se faz e aqui mesmo se paga.
"No canto com seus amigos, você apostou 5 dólaresQue ganharia garota que acabou de entrar,
Mas ela te acha um idiotaNós não nos produzimos só pra você verEntão, pare de derramar sua bebida em mimVocê sabe quem você é
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GLS,
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Surtos
9 de junho de 2012
TA-TU-A-GEM
"É provável que o senhor nunca venha a ler esta carta, papai, mas...
Foi só há alguns anos atrás, eu estava no complexo dilema de sair do armário. O senhor nunca vai saber muita coisa sobre todo “boom” que houve naquela época, mas é importante mencionar: aceitar a minha orientação sexual não foi o meu único problema naqueles dias. Havia todo um emaranhado de sentimentos de ódio, preconceito, auto-flagelação mental, vergonha e depressão, mas nada superava o medo de decepcionar quem eu amava, ou seja, o senhor, mamãe, meu irmão e meus amigos.
De todos os ressentimentos que eu mantinha naquela época, restou apenas um, que talvez nunca seja extinto totalmente: a insensibilidade das pessoas que eu amava, inclusive do senhor. Vocês não precisavam saber pelo que eu estava passando, ou o motivo da minha tormenta; bastava que vocês simplesmente percebessem que algo estava errado, que algo estava acontecendo comigo. E devido a todo o meu quadro social, de isolamento, de inversão dos ciclos de sono, de redução na comunicação, de ausência generalizada, vocês poderiam facilmente levar a sério e perceber que havia algo errado e ruim se passando comigo.
O bonito de tudo isso é que passou. Faz tão pouco tempo, mas eu enxergo como algo tão distante da minha realidade e tão antigo. Depois que eu comecei a me aceitar e me entender como gay, várias outras questões incompletas em mim foram resolvidas de forma tão rápida e fácil que eu me pergunto o quanto a homossexualidade me fez uma pessoa melhor. De lá pra cá, eu fortaleci amizades, abandonei pessoas com boas razões, experimentei relacionamentos, experimentei também a solidão, entrei em contato com meus demônios internos, desmistifiquei o sexo, adquiri independência financeira, morei em uma nova cidade, atualmente moro na mesma casa que o senhor, mudei de religião, conheci outros países e fiz minha primeira tatuagem.
Ta-tu-a-gem. É só um desenho com tinta sob a pele. Quem estava comigo no dia da primeira sessão viu, a cada minuto de dor da perfuração, a minha felicidade e satisfação da realização de um sonho, o meu sonho. O senhor precisava ter visto o apoio que seu outro filho – meu irmão – me deu: foi um dos momentos de maior carinho, cuidado, proteção e cumplicidade entre eu e meu mano. E no dia seguinte, o cuidado e apoio da minha mãe e do meu primo, comprando os materiais pro curativo e também fazendo o curativo 3 vezes por dia. Era tanto apoio e felicidade dos meus familiares e amigos... até ter a experiência de voltar a conviver com o senhor.
Onde eu enxergava felicidade, satisfação e realização, o senhor enxergava apenas nojo, decepção, desprezo. Não foi preciso que o senhor visse a tatuagem inteira para sequer olhar nos meus olhos e balançar a cabeça em tom de reprovação sempre que eu passava; um ato compartilhado pelas suas irmãs. E todo esse desprezo velado, sem uma única palavra dita, sem uma única demonstração de afeto, nem nenhuma naturalidade do tratamento cotidiano não passaram despercebidos por mim. E mais uma vez, apesar de não gostar e não saber os motivos que me levaram a fazer a tatuagem, o senhor novamente não viu que algo se passava comigo... porque eu entendo que eu fiz uma escolha e ela tem consequências, mas independente de tudo isso, era muito fácil o senhor perceber que minhas costas estavam machucadas, feridas, doendo, sangrando; e eu precisava de ajuda para cuidar dessas feridas intencionais, sob pena de adquirir uma infecção.
Por conta da sua notória, antiga e contínua negligência como pai, eu fui forçado a acordar minha grande amiga-e-irmã às 6 da manhã por vários dias, apenas para que ela cuidasse de mim, apenas para que ela cumprisse o papel que poderia/deveria ser seu. E requisitá-la todos esses dias, tarde da noite, pra que o curativo fosse refeito antes de eu dormir. Como foi bom saber que eu posso contar com ela pra isso, como foi bom reforçar esses laços, mesmo que nunca tenham se enfraquecido. Como foi importante saber que, mais uma vez, eu não posso contar com o senhor. Como foi bom o senhor ter se ausentado e isso ter me deixado plenamente à vontade para excluí-lo totalmente, sem que eu precisasse pedir ajuda por nem mesmo uma única vez.
Acredite papai – e isto não é uma praga, é apenas a constatação do provável desenrolar dos fatos: eu não vou morar pra sempre com o senhor. Eu ainda pretendo estudar mais, me preparar e me capacitar, ter um emprego melhor, talvez ser dono do meu próprio negócio, morar numa cidade maior, ter um salário maior... são tantos objetivos de uma vida que ainda está na etapa ascendente da primeira fase da juventude-adulta. E o senhor, papai? O senhor caminha para a velhice, pra solidão, pra etapa descendente da vida. E, infelizmente, eu não consigo me enxergar suprimindo ou anulando NENHUMA das minhas conquistas futuras para dar o suporte que o senhor possa vir a precisar. Não por ressentimento ou vingança, papai, eu só não quero ter que dividir a minha felicidade de homem independente, bem sucedido, gay e multi-tatuado; já que é evidente que pelo menos duas dessas condições vão te incomodar pro resto da vida e, consequentemente, te trazer infelicidade."
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17 de março de 2012
PACIÊNCIA
Eu fui riscando um após outro da lista, e foram muitos. Com os erros passados, a gente tem uma noção média de quem quer e quem definitivamente não quer por perto. É bem verdade que existe um lado cruel nisso, afinal, dizem que é feio jugar as pessoas por quem conhecemos no passado, não é mesmo? O fato é que existem incompatibilidades (algumas absurdamente óbvias) e critérios esquisitos e completamente inexplicáveis que criamos... e que seguimos, sendo cruéis ou não.
Restaram poucos entre os "aptos", ou potencialmente aptos, pelo menos. Infelizmente, eles estão ocupados, ou desinteressados, ou moram longe, ou estão comprometidos, ou são heterossexuais, ou são tímidos, ou uma série de outras explicações para definí-los como "indisponíveis". Eu tentei muitas, várias vezes e cansei. Vejam só, aos 24 anos (quase 25) e já estou cansado de tentar: faz bastante tempo que eu decidi que o próximo homem para quem eu entregaria aquelas 3 poderosas palavrinhas deveria ser cuidadosamente escolhido sem as variáveis que impedem uma boa seleção; carência, pressão social e opinião alheia, entre as principais delas.
De longe, parece que eu estou em busca da perfeição, um novo modelo ou uma nova justificativa pra me agarrar ao sonho do "príncipe encantado do cavalo branco". Tolice. De perto, os que me conhecem sabem que eu busco exatamente o oposto: defeitos. A parte fácil disso é que pra minha religião (considerada maluca por muitos) sequer acredita que os deuses são perfeitos, quanto mais os homens. Eu busco algo meio raro: defeitos em equilíbrio, defeitos que eu consiga engolir, mesmo que a seco.
Faz realmente muito tempo que eu enxerguei verdadeiramente o fato de estar junto de alguém como uma possibilidade, não uma certeza, menos ainda uma necessidade. Isso não mudou nem um pouco dentro de mim, mas não é todo dia que estamos fortes o suficiente pra sustentar o peso das nossas decisões e a perseguição das consequências destas. Hoje é só mais um dos vários desses dias em que a noite chega, o sono demora a vir e o pensamento acaba voando pra zonas obscuras e intocadas durante o dia-a-dia, pra cutucar nossas fraquezas e despertá-las. E ainda virão outros, com certeza. Nesses dias, é oportuno lembrar que foi fácil riscar a grande massa de pretedentes da lista; ser "riscado" por quem você selecionou é que acaba sendo difícil. Dói, fere o ego, desequilibra seu senso de "convicções".
Nesses dias obscuros, fica compreensível algumas formas de "suicídio moral" que eu cometo: beber demais (pra ficar mal mesmo), fumar, buscar sexo gratuito, comer e dormir em horários totalmente irregulares. Parece que causar a si mesmo dor física e emocional – a resaca moral – maior do que a dor da solidão ajuda a desviar a atenção desse "problema maior". Perfeitamente aceitável, totalmente ineficiente.
E no fim deste chato desabafo às 4:00 AM da madrugada, fica a semi-decisão de ignorar a lista, os riscados e os indisponíveis. Chega de perder tempo criando modelos de "Concurso seleção para ocupar a vaga no coração do Alysson" e critérios pra toda essa porra. As resoluções dos meus problemas emocionais nunca foram fáceis na minha vida mesmo, tá passando da hora de eu me acostumar.
OBS: abaixo a canção que eu uso pra ninar a mim mesmo. Uma espécie de "ei, você: gostaria de cantar esta música pra mim?".
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